Segue indefinida a situação com relação à crise fiscal dos Estados. O Ministro Fux deu 30 dias para que o Governador Pezão coloque a casa em ordem para, então, avançar em um acordo para socorro ao Rio. Do lado de lá, resistências políticas devem tornar a tarefa difícil.
A privatização da Cedae encontra resistência na Alerj. Mais complexa se apresenta a possibilidade de privatização do Banrisul no Rio Grande do Sul.
O presente cenário delimita como premissa aos estados desfazer de alguns ativos para equilibrar as contas, mesmo assim espera-se ajuda da União.
A secretária do tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, disse que um novo projeto de lei de recuperação fiscal dos Estados será enviado ao Congresso.
Meirelles destacou que a dificuldade de o Estado pagar salários é um ponto importante para ser analisado pela Alerj e pelo Congresso Nacional para dar celeridade na aprovação dos projetos de ajuste do Estado, como a venda da Cedae, e da nova lei de recuperação fiscal.
Fica clara a sinalização do Ministro da Fazenda que a União não fará ajuda sem contrapartida dos Estados, isso posto que a própria União vem modificando sua estrutura para iniciar o processo de desmobilização de ativos. Cabe destacar o segmento aeroportuário e ferroviário.
Os seis aeroportos que já foram privatizados (Galeão – RJ, Viracopos -SP, Guarulhos -SP, Juscelino Kubitschek -DF, São Gonçalo do Amarante -RN e Confins – MG) representavam 53% das receitas da Infraero, assim a estatal deve criar uma subsidiária com capital aberto para administrar 19 terminais já lucrativos ou potencialmente rentáveis.
No caso do setor ferroviário o Ministério dos Transportes aponta a necessidade de mudar as regras dos próximos leilões para que o valor da outorga seja convertido em obras a serem executadas pelos grupos vencedores dos leilões.
No caso da maior empresa com capital da União, a Petrobras, o governo vem buscando solucionar os conflitos oriundos da exigência de conteúdo local.
O governo está perto de superar divergências internas e anunciar as novas regras de conteúdo local para a 14 ª rodada de licitações de campos de petróleo e gás. Foi definido que, em vez de um índice global para o cálculo de nacionalização de bens e serviços, como desejavam as empresas, a proposta prevê a criação de seis “macrossegmentos” de exigências assim diferenciando exigências entre blocos de exploração no mar e terra.
Dos segmentos em terra (onshore) seriam exigidos índices globais de 50 por cento. Por enquanto, no caso de offshore, na fase exploratória seriam exigidos 18 por cento para a nacionalização de bens e serviços, 25 por cento na fase construtiva e 40 por cento na de escoamento e produção.
Desta forma consideramos que se inicia um ciclo de debates sobre os modelos de concessão e privatização no País.